Existe um lugar em Wrexham onde as paredes têm mais de um metro de espessura, onde o silêncio foi projetado para sobreviver a uma bomba nuclear — e onde, hoje, o som que ecoa não é o de sirenes de alerta, mas de guitarras, baterias e vozes gravando música.
Da Guerra Fria ao rock and roll
Em 1962, no auge da Guerra Fria, o governo britânico construiu um bunker subterrâneo em Borras, nos arredores de Wrexham. O objetivo era abrigar o No. 17 Group do Royal Observer Corps — a unidade responsável por monitorar o espaço aéreo do norte do País de Gales e soar o alarme de quatro minutos em caso de ataque nuclear iminente.
As paredes foram feitas com mais de um metro de concreto. Os dutos pressurizados bombeavam ar filtrado para dentro. O bunker tinha uma sala de mapas onde militares rastreariam a radiação após um possível ataque. Era, em todos os sentidos, um lugar construído para o fim do mundo.
O fim da ameaça — e o início da música
Com o fim da Guerra Fria e a dissolução do Royal Observer Corps entre 1991 e 1995, o Ministério da Defesa vendeu o bunker. E foi aí que a história tomou um rumo inesperado.
Os remixers de dance music K-Klass — conhecidos por hits nos anos 90 — viram no bunker o estúdio perfeito. Paredes grossas significam isolamento acústico natural. Removeram a galeria original, rebaixaram o teto e construíram um estúdio profissional dentro da antiga sala de mapas.
Nascia o ROC2 Studios.
Um estúdio como nenhum outro
Desde então, o ROC2 se tornou referência para artistas que buscam um ambiente único de gravação. A banda Catfish and the Bottlemen — uma das maiores bandas indie do País de Gales — já ensaiou e gravou no bunker. Em 2015, Steve Hywyn Jones assumiu a gestão e expandiu as instalações, que hoje incluem estúdios de música, fotografia e videografia sob o nome Eternal Media.
O mais fascinante é que muitas das estruturas originais permanecem. Os dutos que um dia bombearam ar pressurizado ainda são visíveis no teto. As paredes que foram feitas para resistir a uma explosão nuclear agora absorvem as frequências graves de um amplificador Marshall. O Daily Post publicou uma reportagem completa sobre a transformação do espaço.
Wrexham: uma cidade de contrastes
A história do bunker é um reflexo perfeito de Wrexham — uma cidade que reinventa o impossível. Assim como o Wrexham AFC saiu da quinta divisão para brigar por uma vaga na Premier League, um bunker nuclear virou berço de criatividade.
Se você um dia visitar Wrexham — e todo torcedor deveria — o ROC2 Studios fica em Borras, a poucos minutos do Racecourse Ground. Um lembrete de que, nessa cidade, até o apocalipse vira arte.
Curiosidades sobre o bunker
Ano de construção: 1962
Função original: Base do Royal Observer Corps — monitoramento aéreo e alerta nuclear
Espessura das paredes: Mais de 1 metro de concreto
Uso atual: ROC2 Studios — estúdio de gravação, fotografia e vídeo
Artistas que já gravaram: K-Klass, Catfish and the Bottlemen, entre outros
Localização: Borras, Wrexham, País de Gales
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⚠️ Imagem ilustrativa gerada por IA